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Dra Luiza Hassan

1- Como você identifica, na prática clínica, quando a insatisfação do paciente com a aparência pode estar relacionada a um transtorno de imagem, como a dismorfia corporal?

Começamos a suspeitar de um transtorno de imagem, como a dismorfia corporal, quando um paciente demostra extrema insegurança e começa a apresentar excesso de queixas, que muitas vezes não correspondem à realidade ou quando alguma delas se torna excessivamente valorizada e percebida, sem que seja de fato algo relevante ou facilmente notado. Além disso, as comparações ou desejo de parecer com outras pessoas, assim como o histórico de múltiplos procedimentos estéticos sem satisfação muito duradoura e passagem por diversos profissionais da mesma área podem reforçar essa suspeita.

2- Quais sinais ou comportamentos mais costumam acender um alerta para o cirurgião sobre a saúde mental do paciente que procura repetidamente procedimentos estéticos?

Um cirurgião plástico costuma ficar em alerta quando o paciente chega na consulta realçando excessivamente seus defeitos, trazendo muitas fotos solicitando resultados iguais ou se comparando com outras pessoas. Um histórico de ansiedade e depressão relacionados à aparência física ou transtorno de humor bipolar, excessiva insegurança com a aparência, com necessidade de constantes elogios e validação do procedimento a ser realizado ou do resultado por pessoas próximas também são sinais de alerta.

Costumam ser pacientes que solicitam mudanças frequentes na programação de consultas, como remarcações constantes e solicitações de múltiplos procedimentos em curto espaço de tempo, sem um período mínimo adequado para recuperação ou avaliação real dos resultados.

3- Na sua opinião, qual é a responsabilidade ética do cirurgião ao perceber que um paciente pode estar buscando cirurgias por motivos relacionados a distorções da autoimagem?

O cirurgião plástico precisa ter tempo para ouvir, procurar entender e ser muito cauteloso na indicação de procedimentos quando observa uma motivação com forte componente emocional ou oriunda de algum transtorno mental. Uma avaliação cuidadosa durante as consultas iniciais, discutir abertamente as preocupações com o paciente, expor as limitações do caso, enfatizar que resultados não são reprodutíveis para ajustar expectativas e caso perceba que a motivação do paciente está possivelmente enraizada em distorções da autoimagem, contraindicar o procedimento invasivo e encaminhá-lo a um profissional de saúde mental primeiro é o caminho mais seguro para o manejo emocional adequado e para se evitar procedimentos que não tragam os benefícios que o paciente espera.

4- Como você lida com pacientes que insistem em procedimentos, mesmo quando já alcançaram resultados estéticos satisfatórios? O encaminhamento para um psicólogo ou psiquiatra é comum?

O mais importante é procurar identificar esse paciente antes. Mas ao nos depararmos com uma queixa mediante um resultado estético satisfatório, o acolhimento com uma conversa franca e empática é necessária, avaliando o resultado e procurando entender o que ainda não está suficiente, mostrando a evolução do caso em questão em fotos de antes e depois e revisando aspectos que foram conversados desde a consulta inicial e assinados no termo de consentimento antes da cirurgia que demonstram ciência e entendimento da paciente sobre o que seria realizado e o que seria possível alcançar com aquele procedimento. Procurar entender se existem questões secundárias emocionais que possam estar sendo gatilho para a insatisfação ou fragilidade emocional, até mesmo solicitar que algum familiar próximo o acompanhe durante a consulta e quando necessário, sugerir um acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra. Essas ações podem ajudar o paciente a trabalhar suas inseguranças e avaliar se a busca por procedimentos estéticos é uma solução saudável. Estabelecer essa comunicação é fundamental para manter um relacionamento de confiança e cuidado.

5- De que forma as redes sociais e os filtros digitais têm impactado a percepção das pessoas sobre a própria imagem e a procura por cirurgias plásticas? Você percebe essa influência no consultório?

As redes sociais popularizam padrões de beleza que muitas vezes são inatingíveis na vida real. Com o uso de filtros e aplicativos de edições de imagem, as pessoas podem ver versões altamente editadas de si mesmas, o que pode distorcer a percepção da própria aparência. Isso leva a um fenômeno em que a comparação social se intensifica, levando muitos a se sentirem insatisfeitos com características que antes consideravam normais. Essa influência chega diretamente no consultório, com o aumento na procura por procedimentos estéticos com expectativas distorcidas e imagens retiradas de redes sociais com o desejo de se parecerem com aquelas fotos. Essa comparação pode gerar uma pressão adicional, com maior insegurança e frustração.

Por isso, é essencial que nós, profissionais da saúde, incentivemos conversas abertas sobre autoestima, expectativas realistas e a importância de cuidar da saúde mental. A educação sobre essas questões ajuda a promover uma abordagem mais saudável em relação à própria imagem e evita riscos de procedimentos desnecessários.

Dra Luiza Hassan
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